Educação inclusiva: Para quem ela é boa?

É direito das crianças com deficiência estudar com os seus pares de mesma idade, em um ambiente onde há uma diversidade de raças, de habilidades, de gêneros. Foto de Cliff Booth no Pexels

Em setembro do ano passado, o Governo Federal publicou o Decreto 10.502/2020, definindo uma nova Política Nacional de Educação Especial (PNEE). Nesse decreto, é proposto o retorno a uma antiga política de educação em que União, Estados e Municípios teriam que prover instituições de ensino voltadas para o atendimento educacional especial sob a premissa de não haver benefícios para o desenvolvimento, quando alunos com deficiência são incluídos em escolas regulares e demandam apoios múltiplos e contínuos.

Recentemente, o ministro da Educação voltou a defender enfaticamente o decreto, justificando que “alunos com deficiência atrapalham o aprendizado de outros estudantes” e que “há alunos com deficiência grave que não têm condições de conviver com outros”. Sua fala também qualificou o que seriam os princípios das políticas atuais, fundadas no amadurecimento desses princípios no país e resguardadas em mecanismos internacionais, chamando-os de “inclusivismo”.

“A SPSP tem um posicionamento totalmente contrário a esse decreto do Governo Federal, porque entende e preza que a educação inclusiva é muito importante no processo educacional e de sociabilização de todas as crianças”, diz a pediatra Ana Claudia Brandão, coordenadora do Núcleo de Estudos sobre a Criança e o Adolescente com Deficiência da SPSP. Ela afirma que graças à política de educação inclusiva, há cada vez mais pessoas com deficiência terminando o ensino médio e adentrando às universidades do país. “Se isso faz uma enorme diferença na vida de qualquer indivíduo, imagina para alguém com deficiência que, classicamente, é um excluído e marginalizado na nossa sociedade”, avalia a médica.

Dessa forma, ela considera o decreto um grande retrocesso para o país. “É direito das crianças com deficiência estudar com os seus pares de mesma idade, em um ambiente onde há uma diversidade de raças, de habilidades, de gêneros. Entendemos que a diversidade é bem-vinda e deve estar presente em todos os ambientes, principalmente na escola, onde a criança começa a conviver e socializar com outras crianças”. Para ela, no momento em que as crianças vão crescendo e entendendo que a humanidade é diversa, há um maior respeito pelas diferenças. “Na educação inclusiva todos ganham, as crianças deficiência, as sem deficiência e a sociedade como um todo”, conclui.

Para mais informações, acesse o link: https://www.spsp.org.br/2021/09/10/educacao-inclusiva-para-quem-ela-e-boa/

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here