Especialista comenta como cuidar do cérebro e melhorar o raciocínio

Se o cérebro não é estimulado com tarefas inovadoras e desafiadoras ao longo da vida, não cria e não fortalece novas conexões neuronais, o que impede o desenvolvimento de uma reserva cognitiva efetiva | Foto: Freepik

Nosso cérebro não é exatamente preguiçoso, mas sim, poupa energia e se adequa a necessidade do momento, ao iniciarmos as atividades depois de um recesso, é como se este órgão não entendesse que nós já estamos em janeiro e que temos uma lista de resoluções para cumprir, ou, ao menos, pequenos objetivos que precisam dele para serem alcançados, de acordo com a diretora pedagógica do Supera– rede de escolas voltada à estimulação cognitiva com mais de 400 unidades no Brasil – Patrícia Lessa.

“Essa sensação de lentidão é resultado da adaptação do cérebro a rotina que lhe foi imposta no recesso, na maioria das vezes, nos deixamos levar pelo que vai acontecendo durante o dia e não ficamos preocupados em executar atividades importantes, realizar ações para o atingimento de metas… o que faz parte da nossa rotina de trabalho, então quando o cérebro passa por um período de atividades diferentes, ele também se adequa”, explica Patrícia.

Ou seja, nosso cérebro poupa energias, quando realiza atividades que já são rotineiras ou não proporcionam mais um grande desafio. Poupar energia é importante, mas se o cérebro não é estimulado com tarefas inovadoras e desafiadoras ao longo da vida, não cria e não fortalece novas conexões neuronais, o que impede o desenvolvimento de uma reserva cognitiva efetiva.

“Quando estimulado, com atividades baseadas nos princípios da novidade, variedade e desafio crescente, muitas habilidades cognitivas, como: concentração, memória entre outras são desenvolvidas permitindo resultados de performance mais consistentes em todos os contextos”, afirma a diretora pedagógica.

Um empurrãozinho no cérebro
A boa notícia é que existem alguns caminhos para “despertar” o cérebro, confira abaixo:

Exercite o cérebro: não há um exercício intelectual que isoladamente potencializa mais o desempenho das habilidades mentais, mas sim um conjunto de estímulos. Seria a chamada ginástica para o cérebro, que funciona quando inserimos em nossa rotina estímulos diferentes, mas que nos exigem mais atenção, concentração e memorização.

Alguns exemplos de exercícios para o cérebro são: realizar cálculos por meio do ábaco em níveis gradativos, a realização de caça-palavras (auxilia na potencialização da atenção), palavras-cruzadas (um ótimo exercício para estimular a expressão de palavras no dia a dia e o acesso semântico da informação), jogos das diferenças (auxiliam na potencializarão da atenção), a leitura e escrita (estimulam a criatividade, atenção e memória), aprendizagem de um novo idioma, jogar xadrez, aprender a tocar um instrumento musical e jogar outros jogos de estratégias.

Exercícios físicos: um estudo realizado por cientistas na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, em parceria com a Universidade de Tsukuba, no Japão, mostraram impactos positivos no cérebro com a prática de exercícios físicos leves. Jovens universitários foram submetidos à prática da bicicleta ergométrica, no modo lento e por apenas 10 minutos, após isso completaram testes de memória considerados difíceis, dentro de uma cabine de ressonância magnética. Os testes de memória foram feitos antes e depois da prática de exercícios físicos leves.

Alimentos: Alguns alimentos são essenciais para acelerar o funcionamento do cérebro, os chamados brainfood (alimentos para o cérebro).

• Café
• Carboidratos complexos – aqueles de baixo índice glicêmico e integrais (arroz integral, banana, aveia, feijão preto, entre outros)
• Fisetina, que tem fontes em frutas vermelhas (principalmente o morango), tomates, cebolas, maçãs, pêssegos, uvas e kiwi
• Vitamina B6 (Piridoxina): uma das vitaminas mais importantes para o sistema nervoso central, pois ajuda o cérebro a produzir os neurotransmissores, vitais ao seu funcionamento com fontes no fígado e carne vermelha, grãos integrais, batatas, vegetais verdes e milho.
• Vitamina C: é um antioxidante e participa da atividade química dos neurônios, sendo importante para a memória e para a concentração. Boas fontes de vitamina C são as frutas cítricas, acerola e kiwi.

Cuidar do cérebro traz diversos benefícios, na vida pessoal, profissional e na manutenção da saúde mental. “O nosso cérebro pode – e precisa – ser exercitado. Com exercícios que envolvem novidade, variedade e desafios crescentes, é possível melhorar habilidades como memória, concentração, raciocínio e criatividade e buscar sobre isso será decisivo no sucesso ou insucesso em 2021 para crianças, jovens e adultos”, finaliza Patrícia.

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