Gordofobia na quarentena: influenciadora alerta para o preconceito disfarçado de humor

Com o isolamento social, surgiu muitas brincadeiras nas redes sociais, como “antes e depois da quarentena”. Apesar do tom humorístico, a reprodução dessas publicações, muitas vezes, banalizam transtornos alimentares e prejudicam a saúde mental de pessoas que se sentem oprimidas por estarem fora dos padrões estabelecidos socialmente, alerta a influenciadora e executiva, Ju Ferraz, que defende o movimento body positive, que alerta sobre o impacto dessas publicações.

“Infelizmente, algumas pessoas não têm clareza do seu valor, no sentido de entender que seu corpo não vale mais do que o que você é de verdade, dos que seus princípios e valores, fazendo com que se sintam humilhadas. Então, não é o momento de propagarmos conteúdos que causem essa sensação”, alerta Ju.

Atualmente diretora de Novos Negócios e RP da Holding Clube, uma das principais agências de live marketing do Brasil, Ju Ferraz foi diagnosticada com Burnout há cerca de dois anos. Durante o processo de cura, a empresária engordou alguns quilos, e decidiu compartilhar suas dores e angústias por meio de artigos e cartas abertas em suas redes sociais. Após se sentir acolhida por seus seguidores e pessoas próximas, ela decidiu usar seus canais pessoais para disseminar conteúdos que abraçam a diversidade e alertar sobre práticas gordofóbicas.

“As pessoas precisam entender que estamos vivendo um momento muito maior. É o momento de olharmos para o outro com respeito, de ajudar, e não de julgarmos alguém por usar 36 ou 46”, avalia a executiva.

Os conteúdos de tom pejorativo, todavia, não surgiram durante a quarenta, mas se fortaleceram. Períodos festivos, como Natal e Ano Novo, são outras ocasiões que resultam em publicações comparativas e preconceituosas.

Junto ao conteúdo disseminado nas redes sociais, há expressões usadas no cotidiano que trazem um tom provocativo e intolerante, e mesmo usadas inconscientemente ofendem pessoas com corpos gordos, dentre as mais comuns: “parabéns pela perda de peso”, “acima do peso ideal”, “gordice”, “bonita de rosto”, “cheinha”, “excesso de gostosura”, entre tantas outras. “Estamos falando também de saúde mental. Fazer brincadeiras com o corpo de uma pessoa, seja ele como for, não é piada”, ressalta.

A executiva aponta para a necessidade da mudança de foco frente ao momento que vivemos, e a importância de não contribuirmos com uma sociedade opressora. Ela indica ainda as contas no Instagram de Rita Carreira, Alexandrismos, para inspiração e conhecimento sobre autoestima.

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