Pandemia: o golpe da vitamina C

“Nas redes sociais, a substância vem sendo apontada como capaz de prevenir e curar a Covid-19, embora a ciência diga que ela, apesar de útil como complemento alimentar, não tem poder sequer para curar um resfriado comum”, afirma o doutor em Ciências, Vivaldo José Breternitz | Foto: reprodução

*Por Vivaldo José Breternitz

Nesses tempos de pandemia aumentou exponencialmente o número de curiosos, políticos, gurus e terapeutas de diversas linhas alternativas, nem sempre honestos, que tem proposto, sem nenhuma base científica, a adoção de remédios para combater a Covid-19.

Aqui no Brasil, os exemplos mais evidentes são o uso da cloroquina e da ivermectina.
Nos Estados Unidos, a bola da vez parece ser o ácido ascórbico, a popular vitamina C. Nas redes sociais, a substância vem sendo apontada como capaz de prevenir e curar a Covid-19, embora a ciência diga que ela, apesar de útil como complemento alimentar, não tem poder sequer para curar um resfriado comum.

Mas o povo é crédulo: naquele país as vendas da vitamina C subiram 76% no primeiro semestre de 2020 em relação ao mesmo período do ano anterior. Além disso, clínicas de diversos tipos vem oferecendo o produto como forma de enfrentar a pandemia, inclusive por meio de injeções.

Além dos riscos trazidos pela falsa sensação de segurança que os que se submetem a esses tratamentos podem vir a ter, há também riscos à saúde que são trazidos pela ingestão de doses excessivas da vitamina C.

Esse tipo de prática pode ser considerado como crime federal nos Estados Unidos, o que tem levado o FBI (Federal Bureau of Investigation) a investigar essas clínicas e profissionais, inclusive médicos, ligados a elas. Esse esquema também está fraudando o Medicare, sistema federal de saúde que atende idosos e pessoas de baixa renda, ao solicitar reembolsos por esses tratamentos.

Lá como cá, enquanto as redes sociais forem os principais instrumentos de informação da população, charlatães continuarão a prosperar.

*Vivaldo José Breternitz é Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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