O início da Quaresma volta a aquecer o consumo de pescado em todo o Brasil e gera forte expectativa de aumento de movimento em bares e restaurantes. Em diferentes capitais, os dados já indicam um cenário de alta expressiva. Segundo a Abrapes (Associação Brasileira de Fomento ao Pescado), neste período o consumo de peixe costuma crescer, em média, cerca de 20% no país, tanto no varejo quanto no food service, impulsionado pela tradição religiosa e pela substituição temporária da carne vermelha.
Em Manaus, por exemplo, de acordo com levantamentos da Prefeitura de Manaus e relatos de feirantes, feiras tradicionais como a Manaus Moderna registram crescimento expressivo nas vendas de espécies nativas, como tambaqui, jaraqui e matrinxã, especialmente nas semanas que antecedem a Semana Santa, quando a procura atinge seu pico. No Pará, onde o consumo de pescado é um hábito cultural consolidado, o cenário se repete. Segundo a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), o estado apresenta um consumo per capita de peixe quase quatro vezes maior que a média nacional, com cerca de 11 quilos por habitante ao ano. Em Belém, o mercado do Ver-o-Peso, um dos maiores do país, costuma registrar forte aumento de movimentação ao longo de todo o período da Quaresma, acompanhando esse padrão de consumo.
O Sudeste também apresenta avanços consistentes. Em São Paulo, dados oficiais da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP) mostram que o entreposto movimentou mais de 5,1 mil toneladas de pescado no período da Páscoa do ano passado, com faturamento superior a R$ 71 milhões, o que representou um crescimento de 52% no volume comercializado em relação à média dos meses anteriores. Já em Brasília, segundo análises de mercado da Abrapes, o perfil de consumo mais especializado e o maior poder aquisitivo impulsionam a procura por peixes de maior valor agregado e por produtos diferenciados, como o bacalhau da Noruega.
“A Quaresma segue sendo um dos momentos mais relevantes para o setor de pescado no Brasil. Historicamente, nos bares e restaurantes, observamos um crescimento na faixa de 15% a 20% nas vendas, o que representa uma oportunidade sólida e consistente para o segmento. Já no varejo, o aumento médio fica entre 20% e 35% durante o período, podendo chegar a picos de 200% a 300% na Semana Santa propriamente dita”, afirma Júlio César Antônio, presidente da Abrapes.
“Esse movimento reforça a tradição religiosa como motor principal, mas também mostra um consumidor cada vez mais interessado em variedade, qualidade e opções saudáveis, tanto de espécies nacionais quanto importadas. Para bares e restaurantes, é a hora de ampliar cardápios com pratos criativos e acessíveis, captando essa demanda sazonal e impulsionando o faturamento de forma significativa, beneficiando toda a cadeia produtiva”, pontua.
Esse movimento reforça a importância da data para o setor de alimentação fora do lar. Muitos estabelecimentos já ampliam cardápios, diversificam espécies e apostam em receitas regionais e preparações mais acessíveis para atender à demanda crescente. A tradição religiosa permanece como motor central, mas vem acompanhada de um consumidor que busca variedade e qualidade, tanto no pescado nativo quanto no importado, um comportamento que beneficia diferentes elos da cadeia produtiva, das empresas de pesca, dos criadores nacionais e dos importadores ao restaurante.
Segundo Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, o período representa mais do que um simples aumento sazonal. “A Quaresma é uma oportunidade de fortalecer negócios em todas as regiões do país. O crescimento do consumo de pescado mostra que o brasileiro valoriza cada vez mais a diversidade gastronômica e reconhece o peixe como uma proteína ao mesmo tempo versátil e acessível no dia a dia, mas também nobre nos cardápios mais refinados. Para bares e restaurantes, é um momento de ampliar a criatividade na oferta de pratos, atrair novos públicos e impulsionar o faturamento”, afirma.